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Projetos que podem mudar o futuro da Mata Atlântica

Nesta terça, 27 de maio, comemorou-se o dia da Mata Atlântica – A floresta que é considerada uma das mais exuberantes do mundo e rica pela biodiversidade de fauna e flora. Entretanto, o crescimento populacional e o avanço econômico derrubaram suas árvores e construiram indústrias, aterraram os rios e se fizeram avenidas e mais de 3 mil municípios crescem ao seu redor sem a preocupação com o lixo, o tratamento da água e a constituição de corredores ecológicos que permitiriam a preservação de várias espécies de animais.

A Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE divulgaram novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais e o resultado é que, infelizmente, a taxa desmatamento aumentou 9% em comparação ao período anterior. O Brasil perdeu 24 mil campos de futebol do bioma mais ameaçado do país. Essa data é importante para a conscientização de que o país precisa barrar o desmatamento e pensar em planos de desenvolvimento sustentado a partir da preservação dos recursos naturais.

Por isso, neste post há exemplos a serem seguidos. Selecionamos importantes projetos de conservação de animais endêmicos da Mata Atlântica, os resultados de cada um deles e os desafios diante do crescimento descontrolado característico de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Mico-leão-dourado – Leontopithecus rosalia

mico-leão dourado

Status: Em perigo (risco muito elevado de extinção)

Característica: É um primata que só ocorre na Mata Atlântica de baixada costeira do Estado do Rio de Janeiro. Um indivíduo adulto pesa em média 550 a 600 gramas e mede cerca de 600 mm da cabeça até a ponta da cauda. Vive em grupos familiares com uma média de 6 micos por grupo, podendo variar de 2 a 14 indivíduos.  (OLIVEIRA; KIERULFF, 2008)

Projeto de Conservação: Associação Mico-Leão-Dourado

O projeto desenvolve o trabalho na Reserva Biológica Poço das Antas com o objetivo de estabelecer uma população viável de 2000 micos-leões-dourados vivendo livres em um espaço de 25000ha de florestas protegidas até o ano de 2025, assim o animal se salva da ameaça de extinção. Além da proteção da espécie o projeto luta contra a fragmentação da florestas. Cientistas, biólogos, organizações públicas e privadas e proprietários de RPPNs fazem parte desse exemplo de programa que conseguiu alterar a categoria de ameaça da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) passando de criticamente ameaçado para em perigo de extinção.

Onça-pintada – Panthera onca

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Status: Vulnerável (risco elevado de extinção)

Característica: A onça-pintada é o maior felino do continente americano. Seu peso varia entre 35 e 130 kg e geralmente, os machos são mais pesados que as fêmeas. O seu comprimento total pode variar de 1,7 a 2,4 metros, e sua cauda é responsável por 52 a 66 cm do seu tamanho corporal (Seymour, 1989). No Brasil se encontra na Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal.

Projeto: Carnívoros do Iguaçu

O Parque Nacional do Iguaçu – localizado no Paraná – desenvolve pesquisa com todos os carnívoros da Mata Atlântica, endêmicos da região.  Porém o foco do estudo é na conservação da onça-pintada. Estima-se que apenas 18 indivíduos da espécie ainda habitam o parque, que já foi considerado um santuário desse felino. O projeto faz o monitoramento da população regional das onças e trabalha com educação ambiental explicando a importância do animal para o controle da biodiversidade do parque, já que a onça é responsável pelo equilíbrio da população dos animais na cadeia alimentar. Hoje o animal sofre uma ameaça ainda maior com a construção da Hidrelétrica de Baixo Iguaçu e com a reabertura da Estrada do Colono – localizada no meio do Parque.

Papagaio-da-cara-roxa – Amazona brasiliensis

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Status: Vulnerável (risco elevado de extinção)

Características: É um papagaio que mede pouco mais de 35 cm, de coloração quase toda verde, tendo, a fronte e o loro vermelhos, a garganta roxa e os lados da cabeça de cor azul intensa. As margens das asas são vermelhas e as coberteiras são marginadas de amarelo. A cauda, multicolorida, tem penas centrais verdes brilhantes, com as pontas amareladas; as penas laterais alternam bandas verde-azuis, vermelhas e amarelas. A sua alimentação é composta de frutos de mais de 60 espécies de vegetais encontrados na Mata Atlântica. (SCHERER-NETO; STRAUBE, 2008).

Projeto: SPVS – Sistema de Pesquisa em Vida Silvestre

O projeto realiza o monitoramento de ninhos em matas conservadas localizadas em ilhas do litoral norte do Paraná. Pesquisadores e biólogos também desenvolveram ninhos artificiais para garantia de segurança no período de gestação dessas aves. Nos 16 anos de projeto foram registrados 872 nascimentos de filhos e o sucesso reprodutivo de 520 papagaios-da-cara-roxa, ou seja, filhotes que se desenvolveram no ninho e alçaram vôo. A fragmentação das florestas e a caça ilegal dessa ave são os principais motivos pela a classificação atual de ameaça de extinção.

Mico-leão-preto – Leontopithecus chrysopygus

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Status: Criticamente em perigo (risco extremamente elevado de extinção)

Características: É considerado uma das espécies mais raras, endêmico da Mata Atlântica do interior do Estado de São Paulo. São excelentes predadores, capturando aves e pequenos vertebrados. Para sobreviverem eles necessitam de áreas que vão de 40 a 270 ha, com uma média de 138 ha. O deslocamento é a atividade que predomina, seguido pela alimentação. Os macacos dessa espécie pesam cerca de 600 gramas e atinge a maturidade aos 18 meses.

Projeto: Conservação do Mico-Leão-Preto pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE)

Desde 1984, pesquisadores co-fundadores do Instituto trabalham para a conservação do mico-leão-preto na região do Pontal do Paranapanema. O programa  também envolve toda a conservação do ecossistema em que eles ocorrem. A ideia é utilizar a espécie como um símbolo ou “guarda-chuva” para a preservação de áreas florestais prioritárias. O objetivo é recuperar áreas degradadas e criar corredores que conectem os fragmentos de matas onde famílias de micos se encontram isoladas.