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A estratégia atual para a conservação dos ecossistemas

Existem trinta e quatro ecossistemas no mundo, que são chamados de hotspots de biodiversidade. Esse termo surgiu em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers para determinar as áreas mais importantes de preservação animal e vegetal da Terra.

 Apesar de uma variedade grande de biomas, a cobertura vegetal de hotspots está noventa por cento menor do que a original. E, consequentemente, uma quantidade enorme de espécies endêmicas (aquelas que ocorrem exclusivamente em determinada região) também não existe mais ou estão ameaçadas de extinção.

No Brasil há duas áreas que foram classificadas como hotspots: o Cerrado e a Mata Atlântica, sendo a Mata Atlântica considerada a mais importante em número de espécies ameaçadas e endêmicas. Por isso é necessário uma atenção particular nesses dois ecossistemas, já que eles são epicentros de extinção.

Nas convenções internacionais, onde é discutida a temática ambiental, metas e ações são propostas para a preservação de áreas ameaçadas. Um dos poucos objetivos internacionais obtidos nos últimos anos foi a meta de cobertura de ambientes naturais em áreas protegidas. O foco era atingir dez por cento da superfície terrestre do planeta conservada e hoje já são quase treze por cento. Durante a Rio+20 um novo desafio foi apresentado, que prevê até o ano de 2020 elevar esse percentual para dezessete.

A grande maioria dessas áreas é de natureza pública, criadas e defendidas pelos os governos como unidades de conservação. Em termos de extensão territorial são lugares bastante relevantes, porém a proteção das áreas particulares em ambientes de hotspots são essenciais para o funcionamento sustentável do ecossistema. Isso porque a biodiversidade nesses locais está ameaçada e fora da legislação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o SNUC (Lei Federal 9985/00).

É nesse ponto que a criação de áreas protegidas de caráter privado, classificadas pelo SNUC como Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN), foi de suma importância para a continuidade do trabalho de preservação das florestas.

As RPPN’s são um movimento relativamente novo no Brasil. Entretanto, nos Estados Unidos elas já existem há várias décadas e os resultados desse programa são significativos. Hoje dez por cento do território americano, por exemplo, está em reservas particulares e oitenta e cinco por cento do habitat de espécies ameaçadas também se encontram em áreas privadas defendidas.

É o mesmo caso da Mata Atlântica, onde um grande número de RPPN’s está protegendo as únicas populações de determinadas espécies. No sudeste do Brasil há dois exemplos bem sucedidos de projetos conservação de animais que se encontram criticamente ameaçados de extinção.

O primeiro é uma RPPN em Silva Jardim, no Rio de Janeiro – que  participa junto de ONGs, da iniciativa pública e privada para as pesquisas no projeto de conservação do mico leão dourado, que já obteve a redução no nível de extinção do animal.

mico leão dourado

Outro exemplo é a RPPN de Caratinga – Minas Gerias – que conseguiu aumentar em sessenta por cento a população do Muriqui do Norte, o maior primata das Américas; esse percentual significa que a espécie triplicou naquela região. Por isso, esses lugares são exemplos que carregam uma grande relevância no cenário atual de conservação.

Hoje já existem alguns projetos que trabalham com proprietários particulares de forma a incentivar e a viabilizar as RPPN’s. É o caso da Aliança para a Mata Atlântica, uma iniciativa entre a SOS Mata Atlântica e a Conservação Internacional. No ano de 2013 o programa completou dez anos de dedicação e esforços para o incentivo da criação e manutenção de Reservas Particulares do Patrimônio Nacional.

Já se pode observar que onde existem as áreas públicas protegidas também há várias lacunas de propriedades particulares. E para a conservação dos hotspots não há outra maneira que se não trabalhar em parceria com os proprietários para completar o sistema e ter mais continuidade na paisagem, criando os chamados corredores ecológicos, que aumentam o poder de conservação dessas áreas protegidas.

Corredor ecológico

Esse trabalho conjunto aumenta a viabilidade do ecossistema como um todo, pois agregando áreas verde é possível estabelecer um corredor de extensão da biodiversidade. O impacto das RPPN’s acaba sendo tão grande quanto as áreas públicas, além de criar um caráter estratégico e importante no sistema de unidade de conservação de qualquer ecossistema ameaçado do mundo.