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O desfile das baleias jubarte pela costa brasileira

O seu nome científico é Megaptera novaeangliae e significa grandes asas. Porém é uma mamífero, que passa sua vida inteira circulando entre os mares do Planeta. Pode chegar a 16 metros de comprimento e pesar mais de 40 toneladas. Uma complexidade de características e hábitos em um só animal.

É época do desfile das baleias jubarte pela costa brasileira, os clicks das máquinas fotográficas não param. A cada dia mais registros das gigantes do mar nas redes sociais e uma circulação de informações importantes para a pesquisa científica.

“O mar estava sem onda, um espelho, encontramos 3 baleias jubarte e uma delas saltou a 40 metros do meu barco”, conta o ambientalista Julio Cardoso sobre o belo registro que fez durante a regata próxima ao arquipélago de Alcatrazes, entre São Sebastião e Ilhabela (SP).

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Foto: Julio Cardoso | A poucos metros do seu barco, o fotógrafo clicou o salto espetacular da jubarte.

“Nunca vi nada igual na minha vida. Está parecendo até uma ‘autopista de migração’ das baleias. Uma atrás da outra. Observamos que as baleias estão subindo em subgrupos de 3 a 4. Avistamos uma média de 60 indivíduos aqui no Rio de Janeiro em um dia de campo, mas acredito que o número seja maior. Tenho medo de dizer 100 e acharem que estou maluca”, brinca Liliane Lodi, pesquisadora do projeto Baleias e Golfinhos do Rio.

Estamos na época migratória das jubarte. Entre os meses do inverno rigoroso na Antártica, as baleias sobem em grupos para as águas mais quentes para se reproduzirem e darem cria. A principal parada delas no Atlântico Sul ocidental é o banco de Abrolhos, no litoral sul do estado da Bahia, o grande berçário reprodutivo da espécie.

As jubartes foram, por muito tempo, alvo da caça predatória no Brasil. O óleo extraído das baleias era usado na construção civil e na geração de energia elétrica de todo o mundo.

O que chama a atenção neste ano é o número de baleias jubarte subindo para o norte do país. Isso se dá, principalmente, pela recuperação nacional após o término e proibição da caça de baleia Jubarte, em 66, pela Comissão Internacional Baleeira (CIB).

A população de baleias-jubarte que habita a costa do Brasil* vem mostrando sinais claros de recuperação populacional desde a proibição da caça comercial em 1966. Estudos conduzidos em 2008 entre Natal (Rio Grande do Norte) e Cabo Frio (Rio de Janeiro), estimaram uma população de aproximadamente 17.700 indivíduos . “As jubartes saíram da lista de espécies ameaçadas de extinção, em 2014. Temos um desafio de aprender a conviver num mar cheio de baleias e dar continuidade ao trabalho de conservação da espécie ”, comenta a pesquisadora Liliane Lodi.

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Foto: Julio Cardoso | Regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil

Se está aumentando a população há também um aumento de conflito, por isso mais baleias são impactadas pela atividade humana. Há um maior número de colisão com embarcações e enredamento.

A pesquisadora Liliane Lodi desenvolve o trabalho de monitoramento de baleias e golfinhos na costa carioca. Ela conta que apesar das praias do Rio de Janeiro serem as mais badaladas do Brasil, pouca pesquisa científica marinha é realizada na região.

“Trabalhamos para descobrir e monitorar quais são as áreas de ocorrência das baleias e dos golfinhos. Essas informações precisam ser publicadas cientificamente”, explica a Liliane.

O projeto Baleias e os Golfinhos do Rio conta com o apoio do Programa Marinho, do WWF Brasil e do Programa Costa Atlântica, da SOS Mata Atlântica, que garantem as saídas de campo dos pesquisadores para monitoramento de diversas espécies de cetáceos. Uma ação importante, principalmente, para o levantamento de dados e definição das áreas com maiores necessidades de medidas de conservação.

Foto: Julio Cardoso
Foto: Julio Cardoso

A análise das informações podem também dar o respaldo para pensar em estratégias que amenizem o impacto da atividade humana no habitat das baleias durante a época migratória.

O grupo também conta com uma comunidade no Facebook, com mais de 4.600 membros, que tem importante participação no trabalho de monitoramento no Rio de Janeiro. Com as informações compartilhadas na plataforma, os pesquisadores produziram um mapa de avistagem e outro de frequência das principais espécies de cetáceos na costa.

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Frequência de avistagem: 152 registros de avistagens no Rio de Janeiro foram incluídos no grupo do Facebook desde outubro de 2013. Gráfico publicado dia 13 de maio de 2016. Fonte: Onde estão as Baleias e Golfinhos?

“A base de informação sobre as baleias vem com a participação da sociedade civil e de pesquisadores. A mobilização da população para trazer informações sobre as baleias, golfinhos, aves é fundamental no processo de conservação. Nossos parques devem ser abertos para visitação, com regras claras, e com o objetivo também de monitoramento”, comenta Julio Cardoso, ambientalista e parte do Conselho da ESEC Tupinambás, que há anos luta pela implantação do parque do arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião.

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Mapa de avistagem: 152 registros de avistagens no Rio de Janeiro foram incluídos no grupo do Facebook desde outubro de 2013. Gráfico publicado dia 20 de maio de 2016. Fonte: Onde estão as Baleias e Golfinhos?

Abrolhos se prepara para receber uma das temporadas mais especiais das baleias jubarte. No final da primavera, elas retornam para a Antártica, onde encontram sua principal fonte de alimento e recuperam a energia depois de uma longa e produtiva viagem….

13770302_1251583511520601_7776866939531697622_n* Estoque reprodutivo A.

Lewis Pugh

Lewis Pugh, o advogado dos mares

Lewis Pugh foi a primeira pessoa a completar um nado de longa distância no Polo Norte. Porém pensar em como isso é possível desperta certa curiosidade, certo?
Ele é advogado nascido e criado em Londres, que se considera um defensor dos oceanos. Sua juventude foi marcada pelo instinto de explorar e conhecer o planeta, sempre incentivado pelo pai. A prática de nadar profissionalmente foi desenvolvida na adolescência, com 17 anos.
Depois de graduado Lewis decidiu mostrar ao mundo a situação desequilibrada do ecossistema marinho. Foi então que ele preparou uma equipe que pudesse o acompanhar por expedições em mares prejudicados pela mudança climática e pela degradação ambiental. As viagens foram registradas com o objetivo de chamar a atenção para o impacto da ação humana sobre os oceanos.
Lewis nadou por recifes de corais mortos na África que foram afetados pela a elevação da temperatura da água. Também despertou a atenção de autoridades quando se aventurou no mar da Noruega ao nadar com ossos de baleias; o animal foi caçado indiscriminadamente e está à beira da extinção.
Entretanto a aventura mais impactante foi quando ele decidiu ir ao Polo Norte e nadar entre as geleiras, com temperaturas abaixo de zero. A causa dessa ação era mostrar que anos antes nadar naquele mar seria impossível, já que o ambiente ali permanecia congelado durante todo o ano. Hoje, com o derretimento das calotas polares a atividade é viável, apesar de extremamente perigosa.
A expedição foi um sucesso e atingiu um grau de repercussão muito grande. Em 2013 ele se tornou o Patrono do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma) defendendo os oceanos.
“Eu sonho com os oceanos cheio de vida, repletos de golfinhos, baleias, pinguins, aves marinhas, tartarugas e raias mantas. Acredito que podemos restaurar a vida dos mares, porém é uma escolha nossa tomar medidas positivas para garantir que o futuro do Planeta seja azul”, declarou Lewis Pugh.
Para este ano, 2014, Lewis e o Pnuma preparam uma jornada de 3 anos onde o inglês dará a volta ao mundo passando por 3 oceanos e 18 mares com a campanha de aumentar para 10% a área de proteção marinha global.
“Quando você está realmente fazendo o que ama, o senso de propósito é imenso. E absolutamente nada parece impossível”

Lewis Pugh

“Finalizar um trabalho bem feito da poder e energia para continuar fazendo coisas maiores”

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“Vivemos em um mundo desprovido de heróis. Precisamos de pessoas que mostrem que com disciplina, coragem e visão podemos conquistar qualquer objetivo”

Lewis Pugh

Assista um trecho do documentário Ice Man – Journey Of The Human Polar Bear