Foto: Isabela Rangel

Saber indígena guarda o melhor da Amazônia

Longe de qualquer visão mercantilista, viver a experiência da imersão em comunidades indígenas despertam sentimentos e valores de comunhão, respeito e liberdade. Por começar na relação da comunidade com a terra, que é tida como um bem recebido pelos antepassados. Os povos indígenas têm a terra como um recurso natural onde todos que vivem na comunidade pescam, caçam, plantam e desfrutam desses produtos de forma coletiva.

Era uma manhã linda na Aldeia Boa Esperança, não me lembro se estávamos na segunda-feira, quarta ou sábado, isso pouco importa. O tempo da floresta se dá pelo nascer do sol ou pela estação da chuva que, de fato, muda a rotina do lugar. Um menino de estatura mediana, os índios da Amazônia não são altos, levava um tracajá na cabeça, espécie de quelônio dos rios amazônicos, e anuncia a fartura do almoço para os parentes. Com o sol a pino, crianças, jovens e adultos se organizavam em fila na casa onde servem o almoço, prontos para reporem suas energias.

Aldeia Boa Esperança, Lábrea - povo aprurinã
Aldeia Boa Esperança, Lábrea – povo aprurinã

Uma cena comum nas aldeias da Terra Indígena Apurinã do Igarapé Mucuim, localizada na região do Médio curso do Rio Purus, no estado do Amazonas. Eles vivem em um modelo conservacionista, utilizam os recursos em compatibilidade com o equilíbrio do ecossistema amazônico. Durante o verão, chove pouco, e as margens dos rios e lagos aumentam. Por isso, a vida dos cursos d’aguas estão concentradas em um espaço menor, facilitando a pesca. Também aproveita-se para plantar, já que o solo sofre um processo natural de fertilização, o qual fica rico em nutrientes propício para a agricultura de ciclo rápido. No inverno, quando as chuvas são abundantes, é o período da caça, da colheita da roça e das frutas. A relação homem e natureza é totalmente integrada e com alta consciência e percepção.

Provedores de serviços ambientais essenciais e dependentes diretamente da manutenção florestal, os povos indígenas da região podem ser tomados como os guardiões da floresta amazônica. O reconhecimento dos saberes indígenas e o fortalecimento desses povos são fundamentais para a sustentabilidade do clima mundial. No próximo post vamos falar sobre a importância da marcação e homologação das Terras Indígenas (TIs) que somam cem milhões de hectares na Amazônia Legal, e estocam 13 bilhões de toneladas de carbono, segundo o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

 

 

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