Intervenção "As Margens do Rio Pinheiros", em SP

“A arte salva”

Cardumes de traíra e pacu nadavam por um rio de águas claras. Nessa mesma água crianças se divertiam arriscando saltos quase acrobáticos e jovens praticavam o caiaque. Os mais aventureiros saiam em busca de pegadas das onças para contar histórias ou lendas típicas de pescadores .

Hoje esse ambiente deu espaço a segunda via mais movimentada de São Paulo, as margens do Rio Pinheiros foram substituídas por uma longa via expressa. Em média 300.000 veículos circulam por dia (fonte: CET) levando passageiros, que na maioria das vezes, não olham para este evento abandonado pela cidade.

E como mudar a situação? É possível?

O artista plástico Eduardo Srur respondeu a esta pergunta com a frase: – “A arte salva”.

Em parceria com a Oscip Associação Água Claras do Rio Pineiros, Srur montou intervenções artísticas nas pontes, ao longo da margem e também em dois córregos que representam exatamente a descrição do início deste texto.

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“O objetivo da intervenção é fazer as pessoas repararem no Rio Pinheiros, criando uma troca de energia com o ambiente e despertando na população a indignação de se ter um rio condenado, onde não é possível navegar, nadar ou pescar. É um espaço morto e não podemos nos acomodar com isso”, comenta Srur.

No total sāo três intervenções artísticas em oito locais ao longo do rio Pinheiros.

TrampolimA primeira é o ‘Trampolim’ está nas pontes Morumbi, Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo, Eusébio Matoso e Cidade Universitária, com manequins realistas contemplando a paisagem sobre trampolins azuis.

“As pessoas tomaram um susto logo que essa instalação foi feita. E eu achei isso ótimo, sai da rotina. Os bombeiros receberam mais de 300 ocorrências com pessoas falando sobre suicídio, quando na verdade suicida é a condição do nosso rio”.

Cena do dia em SP.

A segunda é o ‘Portal’ que sāo duas grandes instalações concebidas com esculturas e alegorias que foram utilizadas em desfiles de escolas de samba de São Paulo, instaladas na foz dos córregos Uberaba – que significa águas cristalinas, e Jaguaré – local onde a onça habita, ambos em guarani.

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“Não são tão portais, mas lápides que a cidade enterrou”, explica Srur da ideia que teve depois de ver a obra instalada.

oncariopinheiros03bebeaguaE a terceira é a ‘Hora da Onça Beber Água’ faz alusão a um dos principais símbolos da fauna brasileira, em risco de extinção, representados por infláveis gigantes colocados na frente da estação Pinheiros do trem.

“A ampliação da mensagem está sendo dada”, finaliza o artista plástico.

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A exposição de Eduardo Srur fica até o dia 5 de novembro, mas com a possibilidade de se estender para o final do ano. Esperamos que as pessoas se sensibilize com a causa, protejam o rio e criem uma identidade com o ambiente, fundamental para a construção de uma consciência individual sobre o lugar.

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